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domingo, 2 de outubro de 2011

Um passeio musical pela Idade Média e pelo Renascimento



Dos grupos de música antiga (medieval, renascentista e barroca) brasileiros, o Música Antiga da UFF é certamente o mais importante. São quase 30 anos de existência e sete discos lançados. Como o nome indica, o grupo foi formado na Universidade Federal Fluminense, em 1983, na cidade de Niterói, com o objetivo de pesquisar e executar o repertório europeu da Idade Média e do Renascimento. A formação atual conta com Lenora Pinto Mendes, Mario Orlando, Leandro Mendes, Sonia Leal Wegenast e Virginia Van der Linden.

Como todo grupo de música antiga, que tem o objetivo de se aproximar o máximo possível da estética sonora da época, o quinteto se apresenta com réplicas de instrumentos originais.





No momento, o Música Antiga da UFF trabalha o lançamento de um disco dedicado aos textos da compilação Carmina Burana, composta de poemas e canções, escritos por volta dos séculos XII e XIII, atribuídos aos monges goliardos. Devotos beberrões e peregrinos, oriundos da Alemanha, os goliardos percorriam as tabernas da Europa em busca de iluminação e felicidade.


Os outros discos do grupo são: “Medievo-Nordeste” (2005), que faz um pequeno passeio pelo repertório dos trovadores europeus e da música de tradição oral brasileira do Nordeste; “A Chantar” (2002), que aborda o repertório de trovadoras francesas do século XIII e XVI ; “Lope de Vega – Poesias Cantadas” (1995), com composições do famoso poeta espanhol, do século XVI; “Cânticos de Amor e Louvor” (1997), no qual o grupo interpreta músicas do repertório de Martin Codax e as Cantigas de Santa Maria, da corte de D. Alfonso X, do século XIII; “Música no Tempo das Caravelas” (1998), que apresenta o repertório renascentista ibérico, do século XVI. Há, ainda, o disco ao vivo “O Canto da Sibila” (2002). É notável a maturidade técnica do conjunto a cada CD. No passado, o Música Antiga da UFF ainda lançou o LP “Cantares de Amor, Suspiros e Cuydados” (1992).


Vale procurar também o disco “Secretos quero Descuvrir”, do grupo Antiqua, um minucioso projeto que juntou alguns músicos do Música Antiqua da UFF e do Collegium Musicum de Minas para executar o repertório dos judeus sefaraditas, habitantes da Península Ibérica na Idade Média.

Uma dica: é possível comprar os discos do Musica Antiga da UFF no site da gravadora mineira Sonhos e Sons e na loja Arlequim Discos do Rio de Janeiro.



Ao longo de sua trajetória, o Música Antiga da UFF já realizou centenas de concertos no Brasil, passando por diversas cidades do país. Pelo grupo já passaram vários músicos renomados que se dedicam à pesquisa desse período da música erudita. Por isso, o grupo foi responsável direta ou indiretamente pelo surgimento de outros grupos dedicados à execução deste raro e valioso repertório, entre os quais Longa Florata e Quadro Antiquo.

Um detalhe importante: de 11 a 14 de outubro será realizado em São Luís (como acontece a cada dois anos) o IV Encontro Internacional de História Antiga e Medieval do Maranhão. O adorável casal de músicos Lenora Pinto Mendes (do Música Antiga da UFF) e Márcio Selles (que já fez parte do grupo) vai ministrar uma oficina e apresentar um concerto no evento. Ninguém deve perder essa. O encontro será realizado no Rio Poty Hotel, no bairro da Ponta da Areia.








segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Música Antiga com toque de modernidade


Ele grava e acompanha o Hespèrion XXI, do violista catalão Jordi Savall, e também integra o Ensemble Kapsberger, mas possui um trabalho solo de semelhante requinte. Trata-se do músico norueguês Rolf Lislevand, especializado em instrumentos de cordas renascentistas e barrocos. Toca alaúde, vilhuela e tiorba.

Apesar de ser intérprete de repertórios da Música Antiga (medieval, renascentista e barroca), o virtuoso imprime, nos discos solos, um molde cristalino como contraponto à sonoridade rústica do período. Quem ouve as gravações solo de Rolf Lislevand não fica indiferente, mergulhando de forma gradativa e profunda rumo aos tesouros da Música Antiga. É um caminho sem volta. E pode ter certeza, ele conseguiu se igualar ao alaudista Paul O'Dette em maestria.



Dos trabalhos lançados por Rolf Lislevand, recomendo “Nuove Musiche” (2006), que tem a participação da bela voz da soprano Arianna Savall (filha de Jordi Savall, que nos proporciona uma delicada viagem), e "Diminuito” (2009), a continuidade do antecessor. Ambos foram lançados pela ECM, a mais importante gravadora de música instrumental do mundo, criada no final dos anos 60, pelo alemão Manfred Eicher, cujo objetivo, segundo ele, era registrar somente o som mais belo que o silêncio. Portanto, nem pense duas vezes, saia agora à procura do som de Rolf Lislevand.