O mineiro Ivan Vilela (fotos), ao lado dos violeiros Paulo Freire (São Paulo), Ricardo Matsuda (São Paulo) e Rogério Gulin (Paraná), é um dos responsáveis, na atualidade, pela valorização da viola caipira fora do contexto da música rural brasileira. Eles inseriram – cada qual a seu modo – este instrumento nos palcos da MPB, da música étnica, da música instrumental e da música erudita. Isso, sem perder a identidade tradicional da viola.
E vale lembrar: Ivan, Paulo e Ricardo já fizeram parte do Anima, em diferentes momentos. O grupo de Campinas dialoga com a música medieval européia e com o rico cancioneiro de tradição oral de diferentes regiões do Brasil. Por sua vez, Rogério é integrante do paranaense Terra Sonora, que realiza uma minuciosa e original pesquisa da música tradicional de países de todos os continentes. Posteriormente, vou escrever sobre este grupo, que já possui cinco ótimos discos lançados.
Com formação acadêmica, Ivan Vilela (fotos) é um dos principais nomes da música instrumental brasileira, com impecáveis trabalhos lançados. Dele, eu recomendo pelo menos dois discos: o premiado “Paisagens” (1999) e o quase solo “Dez Cordas” (2007). No primeiro, Ivan Vilela acompanhado de diversos músicos incursiona, por meio de composições autorais, pelas sonoridades do interior do Brasil, com molde universal e sofisticado. No outro, ele interpreta com arranjos originais temas conhecidos de diversos compositores brasileiros, principalmente da MPB, a exemplo de Chico Buarque, Flávio Venturini, Almir Sater e Edu Lobo. Há ainda duas músicas dos Beatles: “Eleanor Rigby” e “Whyle My Guitar Gently Weeps”. Procure já. Ouça também a coletânea "Violeiros do Brasil", lançada pelo selo Núcleo Contemporâneo há mais de uma década, que reuniu peças interpretadas ao vivo por diversos craques da viola caipira, entre os quais Ivan Vilela, Paulo Freire, Almir Sater, Braz da Viola e Zé Coco Riachão.
Há mais ou menos três anos Ivan se apresentou em São Luís, ao lado da cantora Ná Ozzetti. Eu tive o privilégio de assistir a esta apresentação, que está guardada confortavelmente na memória.
Em 28 de abril do ano 711, o comandante Táriq-ibn-Ziyád, acompanhado de sete mil guerreiros, partiu da costa do Marrocos, atravessou o estreito, que posteriormente foi denominado Gibraltar, e invadiu a Península Ibérica. À época, aquele território europeu era dominado pelos visigodos, povo de origem germânica já convertido ao cristianismo, que quase não ofereceu resistência aos “visitantes” árabes e berberes mulçumanos, também chamados de mouros. Pois o domínio islâmico nesta parte da Europa começou em sete dias e durou mais de setecentos anos. Os árabes só foram embora em 1492, quando a última cidade sob domínio deles, Granada, foi entregue aos cristãos.
No período de domínio mouro na Península Ibérica, floresceram a filosofia, as ciências e as artes (especialmente a música). Os árabes se estabeleceram principalmente no Sul da atual Espanha, na região da Andaluzia (Al Andaluz), que até hoje preserva este nome. Contribuíram com novos instrumentos e modos musicais. Basta lembrar do alaúde e do pandeiro.
Também foi um período de harmonia e tolerância entre os povos, principalmente entre árabes e judeus sefaraditas, que já habitavam a região muito antes da chegada dos mulçumanos. Os judeus - que falavam um dialeto denominado ladino (um castelhano com sotaque diferenciado) - chamavam a península de Sefarad. Daí o nome sefaradita ou sefardita, como preferir.
Pois o repertório sefaradita e o árabe andaluz são comumente resgatados por grupos contemporâneos que executam música medieval. Há seis anos, o exigente Michael Popp, diretor do grupo alemão Estampie, da cidade de Munique, especializado em música medieval, ficou impressionado com o som do grupo valenciano L’Ham de Foc, que de 1999 a 2007 desenvolveu uma pesquisa muito original que somou elementos de música medieval com sonoridades do mediterrâneo, do Oriente Médio e do folk celta espanhol. Não deu outra. Michael Popp convidou os músicos do L'Ham de Foc (aliás, notórios pela competência) para desenvolver um trabalho em parceria com o Estampie. Assim foi criado o Al Andaluz Project, que já lançou dois discos: "Deus Et Diabolus" (2007) e "Al-Maraya" (2010). Vale procurar e apreciar os dois registros.
Para dar voz ao repertório medieval dividido em canções sefaraditas, árabes e cristãs ibéricas, além das cantoras Mara Aranda, do L’Ham de Foc, e Sigi Hausen, do Estampie, foi aproveitada a marroquina Iman Kandoussi, dona de uma impressionante voz. Confira o vídeo no qual ela interpreta “Nassam Alaina Lhawa”, canção que já tinha sido eternizada na voz da libanesa Fairouz, a mais célebre cantora do mundo árabe. Eu particularmente não canso de ver este registro. Assista também a performance de Mara Aranda interpretando “Morena”, do repertório sefaradita. Ah, em outro momento mergulharemos um pouco no trabalho do já extinto L’Ham de Foc e de outros projetos paralelos desenvolvidos pelo grupo.
E como não lembrar de Ali Farka Touré (1939 – 2006)? O guitarrista malinês foi responsável pela difusão do blues do deserto do Saara, indicando as pistas das raízes ancestrais do blues americano. Aliás, o cineasta Martin Scorsese caracterizou o trabalho de Touré como “o DNA do blues”.
Classificado com o número 76 na lista dos 100 melhores guitarristas de todos os tempos da revista Rolling Stone, Ali Farka Touré faleceu, no ano de 2006, em decorrência de um câncer. Foi um dos músicos africanos mais admirados na Europa. Dizem por aí que até hoje há gente que desconhece a sua morte ou se recusa a acreditar.
Ao contrário da maioria dos músicos de prestígio do Mali, Ali Farka Touré não nasceu no seio de uma família de griots (músicos contadores de histórias, cuja sabedoria é transmitida por meio de tradição oral, de pai para filho). O artista, na verdade, descendia de uma casta de militares, mas se recusou a seguir tal carreira, optando pelo caminho da arte. Deu certo.
Ao longo da carreira, Ali Farka gravou e tocou com diversos músicos de destaque, entre os quais o guitarrista norte-americano Ry Cooder (aquele especializado em slide guitar, que coordenou o Buena Vista Social Club). Inclusive, em 1994, o disco “Talking Timbuktu”, no qual Ali Farka foi acompanhado por Ry Cooder, recebeu o Grammy de melhor álbum de world music. Outro músico importante com quem colaborou foi o lendário tocador de kora (espécie de harpa africana), o conterrâneo Toumani Diabaté, com quem gravou dois de seus últimos discos, “In The Heart of The Moon” (2005) e o póstumo “Ali & Toumani” (2010). Aliás, recomendo todos os discos citados para uma atenta audição. É musica para o nosso deleite absoluto. Conheça também os trabalhos do já citado Toumani Diabaté e do igualmente malinês Ballaké Sissoko.
Tava demorando muito, mas o rock n’ roll finalmente aportou no Trilha Transe, excepcionalmente para apresentar o grupo nova iorquino Alberta Cross, cujos discos “The Thief and The Heartbreaker (2007) e “Broken Side of Time” (2009) foram os melhores biscoitos do gênero que provei nos últimos tempos. Tenho alma de roqueiro e não poderia esconder isso por muito tempo. Enfim, sons de natureza elétrica também são bem-vindos no Trilha Transe.
Formado pelo vocalista sueco Petter Ericson Stakee e pelo baixista britânico Terry Wolfers, além de Sam Kearney (guitarra), Alec Higgins (teclados) e Austin Beede (bateria e percussão), que se encontraram em Nova Iorque, o Alberta Cross faz folk rock, com pitadas de blues e soul. É rock americano dos bons com eco do final dos anos 60 e começo dos 70. Carrega resquícios de Allman Brothers Band, The Band, Rolling Stones (dos tempos de Mick Taylor) e Neil Young. Só para citar alguns. Mas o grupo nos faz matar saudades também dos anos 90, de um tempo repleto de bandas legais como Grant Lee Buffalo, Blind Melon, Soundgarden, Soul Asylum, Dinosaur Jr., Buffalo Tom, Afghan Whigs e Nirvana. Fisicamente o vocalista lembra Kurt Cobain. Se tivesse surgido há 15 anos, aposto que o Alberta Cross faria um sucesso estrondoso, mas os tempos são outros e hoje em dia o rock anda meio esquecido ou escondido. Virou música de gente de alma retrô, que teima em nadar contra a corrente. E entre as bandas contemporâneas do mesmo estilo, garanto que Alberta Cross soa melhor que o festejado Fleet Foxes, de Seattle.
O primeiro disco, o EP “The Thief and The Heartbreaker (2007) que apresenta sete ótimas músicas, possui uma produção mais tradicional, com timbres vintage, semi-acústicos. Já “Broken Side of Time” soa mais modernoso, cheio de efeitos de guitarra, ou seja, é uma ponte entre o passado e o presente. Algumas músicas do primeiro ganharam novos arranjos no segundo, sem perder a qualidade. Para quem procura rock n’ roll de raiz, na cena atual, o Alberta Cross é uma ótima pedida. E para a degustação, um momento ao vivo da banda executando a música "Taking Control", uma das mais viscerais do repertório do grupo.
Nos anos 90, o filme “Antes da Chuva” (Before The Rain), do diretor macedônio Milcho Manchevski , tratou de uma forma muito particular da guerra fratricida que devastou, no período, as nações que formavam a antiga Iugoslávia. Lançado em 1994, o longa (foto 2) conquistou o mundo pela beleza e lirismo, e pelo roteiro original, inusitado e enigmático, muito semelhante ao conceito aplicado em “Pulp Fiction”, de idas e vindas no tempo, embora a história nada tenha a ver com o tiroteio pop fast food de Quentin Tarantino. E a exemplo de outros antológicos filmes, “Antes da Chuva” possui uma ótima trilha sonora, assinada pelo grupo macedônio Anastasia.
Com elementos de música tradicional da Macedônia e de música erudita, a lírica trilha impressiona. Para gravar os temas do filme, o Anastasia contou com a participação de um conceituado músico chamado Dragan Dautovski (fotos 1 e 3), cujo currículo aponta o domínio de mais de 20 instrumentos tradicionais da região.
Posteriormente, enquanto o Anastasia se perdeu nos caminhos da new age e da ambient music, Dragan Dautovski continuou cultivando a experiência étnica e acústica com o grupo Dragan Dautovski Quartet (foto 4), cujo disco “The Path of The Sun” (O Caminho do Sol) também é valioso, sendo uma viagem pela herança musical deixada nos Bálcãs, especialmente na Macedônia, pelo Império Otomano (vale lembrar que o termo balcãs tem origem turca e se refere à montanha). Obviamente, o disco “The Path of The Sun” também vale ser procurado na “cordilheira” da Internet.
E voltando a “Antes da Chuva”, o filme aborda um conflito armado entre cristãos ortodoxos e muçulmanos, moradores de comunidades vizinhas, na fronteira da Macedônia com a Albânia. Trata-se, portanto, de uma ficção análoga ao terror vivido pelas populações islâmicas e cristãs na região. É bom lembrar que o longa foi lançado no Brasil em DVD no ano passado, pela distribuidora Lume Filmes, a mais importante do país em se tratando de cinema de arte, cujo proprietário é o maranhense Frederico Machado. Para se ter uma idéia do filme e da trilha sonora postei uma das sequências que mais gosto desta película. Também fica um registro do Dragan Dautovski Quartet.
Por volta de 1988, o experiente violinista, compositor e regente José Eduardo Gramani (1944 - 1998) formou o grupo Anima (alma, em latim), na cidade de Campinas (SP), com o intuito de explorar, principalmente, o repertório do período barroco, com instrumentos de época. No entanto, a pesquisa do grupo terminou por mergulhar em tempos mais remotos, aproximando-se do repertório medieval europeu, bem como do enorme leque de canções da cultura popular brasileira de tradição oral.
Em 95, ele começou uma pesquisa sobre a rabeca, passando a estudar a forma de confecção deste instrumento artesanal com mestres rabequeiros de várias partes do Brasil. Até 1998, Gramani (3ª foto) viajou por quase todo o país em busca de construtores do instrumento. Quando morreu, deixou uma coleção de cerca de 40 exemplares de rabecas. Esta pesquisa foi determinante para a elaboração do conceito musical do Anima, que passou a se diferenciar da linha adotada pela maioria dos grupos brasileiros de Música Antiga (medieval, renascentista e barroca), do Brasil e do mundo, que seguem um molde de época.
Além de Gramani, participaram da primeira formação do Anima: Isa Taube (voz), Luiz Fiaminghi (rabecas), Patrícia Gatti (cravo), Dalga Larrondo (percussão), Ivan Vilela (viola brasileira) e Valeria Bittar (flautas). O primeiro disco, “Espiral do Tempo” (hoje, um clássico da música brasileira contemporânea), foi lançado em 1998, mesmo ano da morte de Gramani, vitimado por um câncer.
Se formos fazer uma comparação esdrúxula, talvez Gramani tenha sido o Chico Science da música erudita brasileira. Destruiu fronteiras, aproximou elementos aparentemente díspares, combinou substâncias musicais e instrumentos de diferentes origens, criando um som único e inovador. Assim como Science, Gramani morreu no seu auge criativo, acredito.
Depois da partida de Gramani, Luiz Fiaminghi assumiu a direção do Anima dando continuidade ao valioso trabalho fundamentado pelo mestre. No segundo disco, "Especiarias" (2000), Paulo Freire substituiu Ivan Vilela. Em seguida, o mesmo foi substituído por Ricardo Matsuda - culminando na terceira formação do grupo (2ª, 5ª e 6ª fotos) - que tocou em “Amares” (2003) e “Espelho” (2006), trabalho que teve uma versão ao vivo em DVD. Com uma nova formação, o grupo lançou em 2010 o disco "Donzela Guerreira".
Além destes trabalhos, o Anima é responsável pela execução do projeto/CD "Teatro do Descobrimento" (1999), idealizado pela meio-soprano Anna Maria Kieffer, lançado para as comemorações dos 500 anos do descobrimento do Brasil. Há, ainda, o disco solo de Gramani, "Mexericos da Rabeca" (1997), com composições suas escritas especialmente para as rabecas e executadas com o acompanhamento da cravista Patrícia Gatti.
Atualmente, o grupo é composto por Marlui Miranda (voz e instrumentos indígenas), Paulo Dias (percussão afro-brasileira), Gisela Nogueira (viola de arame), Marilia Vargas (soprano) e Silvia Ricardino (harpa). Da primeira formação, permanecem Luiz Fiaminghi e Valéria Bittar (1ª e 4ª fotos).
O Anima sempre procurou unir instrumentos aparentemente díspares e deslocados no espaço e no tempo, como cravo, flautas barrocas e indígenas, rabeca, zarb e bendir (tambores originários do Irã e da Turquia, respectivamente), viola caipira, berimbau, triângulo, entre outros. Hoje, o grupo inclui uma harpa. Desse modo, podemos pensar de maneira genérica que a viola caipira seria o equivalente ao alaúde e a rabeca substituiria o violino, assim como os demais instrumentos rústicos corresponderiam a outros eruditos.
Para se ter uma ideia do ecletismo do trabalho do grupo, o primeiro CD, "Espiral do Tempo", trouxe músicas como "Tartarassa", atribuída ao trovador provençal Pierre Cardenal (1180 ? – 1278 ?), ao lado de "Tirana da Rosa", da tradição oral brasileira. No mesmo disco, a canção "Chovendo Na Roseira", de Tom Jobim, aparece de forma incidental no decorrer da interpretação da música de origem francesa "Se Jamais Jour", do século XIV, de autoria anônima. O segundo CD também trouxe músicas do folclore brasileiro, como "Tupinambá", "Moreninha" e "Canto das Fiandeiras", ao lado de "Tu Gitanas Que Adevinas" (anônimo, séc. XIV) ou "Blanca Niña", da tradição oral sefaradita (denominação dos judeus que habitavam a Península Ibérica durante a Idade Média).
Apesar de a pesquisa do Anima parecer inédita, o trabalho de aliar a tradição da Música Antiga com o repertório da tradição oral brasileira não é absolutamente inédito, porque nos anos 70, o grupo pernambucano Quinteto Armorial já caminhava nesta direção, embora não executasse propriamente Música Antiga européia e sim música regional do Nordeste com moldes eruditos medievais e renascentistas.
O Anima foi uma das minhas trilhas sonoras dos anos 2000 e, inclusive, um dos objetos de pesquisa do meu trabalho de conclusão da especialização em Jornalismo Cultural pela Universidade Federal do Maranhão, terminado em 2005. Esta é a primeira postagem no blog de um grupo brasileiro. Como aperitivo, deixo um vídeo da formação anterior e outro da atual.
Música clássica e tradicional árabe, música francesa e jazz formam os elementos do sofisticadíssimo trabalho do alaudista tunisiano Anouar Brahem, um dos mais transgressores deste instrumento no mundo árabe. Recrutado desde os anos 90 pela gravadora alemã ECM - como já disse por aqui e é sempre importante repetir: o mais respeitado selo de música instrumental de vanguarda do mundo, sinônimo de absoluta qualidade e inovação - Anouar Brahem faz um som etéreo, que nos leva a longas viagens interiores, a belas miragens em desertos ou a paisagens azuladas do Mediterrâneo. Não tem como ficar indiferente à sonoridade pelo grau de leveza e profundidade. Como escreveu um dia o poeta estadunidense Walt Whitman: “o que pode haver de maior ou menor que um toque?”.
Hipnótica, a música de Anouar Brahem oscila entre temas tradicionais e calmos improvisos. O trabalho dele pode ser dividido em quatro fases. A primeira, mais próxima da música árabe clássica e tradicional, com o excelente disco de estréia, “Barzakh” (1991), e o seguinte “Conte de L’incroyable Amour” (1992). A segunda, mais experimental, dialogando com músicos europeus de jazz de vanguarda do quadro da ECM, a exemplo de John Surman e Dave Holland, com os quais gravou “Thimar” (1998), ou Palle Danielsson e John Christensen, que foram alguns dos parceiros de “Khomsa” (1999).
A melhor fase é a terceira, quando passa a dialogar com a música francesa tradicional, produzindo, pelo menos, três dos discos mais sublimes dos últimos quinze anos, “Astrakan Café” (2000), “Le Pas Du Chat Noir” (2002) e “Le Voyage de Sahar” (2005). Esses dois últimos gravados com os músicos franceses François Couturier (piano) e Jean Lois Martinier (acordeon). Vale muito procurar. A fase atual foi inaugurada com o CD “The Astouding Eyes of Rita” (2009), registrado com o clarinetista sueco Björn Meyer, o baixista alemão Klaus Gesing, e o percussionista libanês Khaled Yassine. Disponibilizamos um vídeo desse quarteto (uma foto também) para se ter uma ideia do trabalho magistral desse tunisiano. E não podemos esquecer que no mundo árabe os ventos da liberdade começaram a soprar primeiro na Tunísia.
Nascido em 1957, Anouar Brahem estudou primeiramente no Conservatório Nacional de Túnis, antes de partir para Europa, mais precisamente para Paris, onde aos poucos foi conquistando respeito no meio musical. O primeiro trabalho de destaque foi a participação na trilha sonora do filme “Hanna K” (1983), de Gosta Gavras, que reflete a causa palestina, sob o olhar de uma mulher judia. Depois do ingresso na ECM, os discos do músico receberam diversos prêmios e indicações.
Assim como a cor azul, que - de acordo com o Dicionário de Símbolos - é a mais profunda das cores e remete ao infinito, a musicalidade mediterrânea de Anouar Brahem nos transporta para bem longe.